Dolly Parton, um nome que ecoa entre montanhas e palcos, sinônimo de música country, carisma e um coração de ouro. Mas antes de se tornar a lenda multifacetada que conhecemos hoje, houve um momento crucial que a catapultou para o estrelato de Hollywood, cimentando seu lugar não apenas como cantora, mas como uma verdadeira atriz. Falamos de seu primeiro filme, uma comédia que não só divertiu milhões, mas também trouxe à tona questões sociais importantíssimas para sua época — e, surpreendentemente, para a nossa. O filme em questão? O icônico “Nine to Five” (conhecido no Brasil como “Como Eliminar Seu Chefe”).
O que aconteceu?
Em 1980, o mundo do cinema foi agraciado com a estreia de “Nine to Five”, uma comédia satírica que colocou Dolly Parton no mapa de Hollywood. O filme reúne um trio de talentos femininos excepcionais: Jane Fonda, Lily Tomlin e a própria Dolly Parton. A trama central gira em torno de três funcionárias de escritório – a experiente viúva Violet Newstead (Fonda), a divorciada e desiludida Judy Bernly (Tomlin) e a secretária voluptuosa Doralee Rhodes (Parton) – que trabalham sob o comando de Franklin Hart Jr. (Dabney Coleman), um chefe misógino, egocêntrico e predador.
Cansadas da opressão, do assédio sexual e da falta de reconhecimento, as três mulheres, por uma série de mal-entendidos e eventos cômicos, acabam sequestrando o chefe e assumindo o controle da empresa. O filme é uma jornada de empoderamento, amizade e a descoberta de que, juntas, elas podem transformar um ambiente de trabalho tóxico em um modelo de produtividade e justiça. A estreia de Dolly como Doralee Rhodes foi notável, mostrando que seu talento ia muito além da música, trazendo uma autenticidade e humor que conquistaram crítica e público.
Ainda mais impressionante é que, embora a indicação ao Oscar não tenha sido por sua atuação, o filme lhe rendeu uma nomeação na categoria de Melhor Canção Original pela icônica música-tema, também intitulada “9 to 5”. Uma composição que se tornaria um hino atemporal para trabalhadores em todo o mundo.
Por que isso importa?
“Nine to Five” não é apenas uma comédia boba; ele é um marco cultural e social que ressoa profundamente até hoje. Em um momento em que a sociedade ainda engatinhava em debates sobre igualdade de gênero e assédio no local de trabalho, o filme ousou colocar essas questões em evidência, embaladas em um humor afiado e performances brilhantes. Ele deu voz a sentimentos de frustração e injustiça que muitas mulheres sentiam, mas raramente viam representados na tela grande.
Para Dolly Parton, o filme foi um divisor de águas. Ele a tirou do rótulo de “apenas uma cantora country” e a apresentou como uma atriz talentosa e carismática para uma audiência global. Sua personagem, Doralee, quebra estereótipos: embora sexualizada pelo chefe, ela demonstra inteligência, força e uma bondade inabalável, provando que a aparência não define a essência de uma mulher. Essa representação foi vital para a época e continua sendo um exemplo de como personagens femininas podem ter profundidade e agência.
O sucesso de “9 to 5” pavimentou o caminho para a carreira cinematográfica de Dolly, levando a outros papéis memoráveis em filmes como “O Melhor Amigo da Noiva” (Steel Magnolias) e “A Melhor Cantora do Mundo” (Rhinestone). Mais do que isso, o filme solidificou seu status como um ícone do empoderamento feminino, usando sua plataforma para defender a igualdade e a justiça social, valores que ela defende até hoje.
Explicação detalhada
A gênese de “Nine to Five” é tão interessante quanto o próprio filme. A ideia original veio de Jane Fonda, que, ao se encontrar com ativistas e trabalhadoras de escritório, percebeu a necessidade de um filme que abordasse as injustiças enfrentadas pelas mulheres no ambiente corporativo. Ela queria uma comédia que pudesse ser um veículo para discutir temas sérios como discriminação salarial, assédio e a falta de oportunidades para mulheres.
Dolly Parton, que na época era uma superestrela da música country, foi uma escolha inesperada, mas genial. Sua aura de “moça do interior” combinava perfeitamente com a persona de Doralee Rhodes, que é constantemente subestimada pelo chefe. A química entre Parton, Fonda e Tomlin é inegável, criando uma dinâmica cômica e tocante que sustenta todo o enredo. Cada personagem representa um tipo diferente de mulher na força de trabalho da época, tornando a história relatable para um público vasto.
O filme aborda questões como:
- Assédio sexual e moral: O chefe, Franklin Hart Jr., personifica o comportamento tóxico e predatório, usando sua posição para manipular e assediar suas funcionárias.
- Disparidade salarial: A dificuldade das mulheres em ascender profissionalmente e receber salários justos é um tema central, ilustrado pela frustração de Violet, que, apesar de ser mais competente, é constantemente preterida.
- Estereótipos de gênero: Doralee, com sua beleza e figurino chamativo, é imediatamente estereotipada, mas o filme desmistifica essa percepção, revelando sua inteligência e capacidade.
O impacto da canção “9 to 5” merece um capítulo à parte. Dolly a compôs especificamente para o filme, e ela se tornou um sucesso estrondoso, alcançando o primeiro lugar nas paradas de country e pop. A letra, que descreve a rotina monótona e a exploração do trabalhador, se tornou um hino para milhões, e sua melodia cativante é instantaneamente reconhecível. A indicação ao Oscar de Melhor Canção Original foi um reconhecimento merecido de sua genialidade e relevância cultural.
Enquanto o debate sobre a posse de mídias digitais, como a batalha legal da Sony que muda tudo no PlayStation, continua a levantar questões sobre acesso e preservação, “Nine to Five” nos lembra da importância de obras cinematográficas que transcendem o tempo e permanecem acessíveis, seja em formato físico ou através de plataformas digitais que garantam sua visibilidade.
O que pode acontecer agora?
Quatro décadas depois de sua estreia, “Nine to Five” mantém uma relevância surpreendente. Em um mundo onde movimentos como #MeToo e discussões sobre equidade no local de trabalho estão mais presentes do que nunca, o filme serve como um lembrete do progresso feito e do caminho que ainda temos pela frente. Ele pode ser visto por novas gerações não apenas como um item de nostalgia, mas como um objeto de estudo sobre a evolução das relações de trabalho e de gênero.
A força da narrativa e dos personagens sugere que o legado de “Nine to Five” continuará inspirando adaptações, seja em peças de teatro, musicais (como o que já existe na Broadway) ou até mesmo em discussões acadêmicas. A mensagem de união e empoderamento feminino é atemporal. Para os fãs de Dolly Parton, é uma obra essencial para entender a amplitude de seu talento e sua visão artística além da música.
O filme serve também como um excelente ponto de partida para revisitar a cultura pop dos anos 80 e suas preocupações sociais. Ele nos convida a refletir sobre como a arte pode ser um poderoso catalisador para a mudança e um espelho das realidades de uma sociedade.
Vale a pena acompanhar?
Sem sombra de dúvida, “Nine to Five” vale a pena ser reassistido ou descoberto por quem nunca o viu. É uma experiência cinematográfica que combina risadas genuínas com uma crítica social perspicaz. O timing cômico das atrizes é impecável, e a performance de Dolly Parton é um deleite, revelando sua capacidade de roubar a cena mesmo ao lado de veteranas como Jane Fonda e Lily Tomlin.
A música-tema, por si só, já é um motivo para ver. Mas o coração do filme está em sua mensagem de solidariedade feminina e na busca por um ambiente de trabalho mais justo e humano. É um clássico que envelheceu com graça, e suas piadas ainda funcionam, enquanto seus temas continuam a provocar reflexão.
Procure “Nine to Five” em plataformas de streaming ou serviços de aluguel digital. É uma jornada divertida e inspiradora que reafirma por que Dolly Parton se tornou, e permanece, um ícone multifacetado da cultura pop.
Curiosidades e contexto extra
Além de sua trama envolvente e mensagens poderosas, “Nine to Five” é recheado de histórias interessantes por trás das câmeras:
- A ideia para o filme surgiu durante um jantar entre Jane Fonda e ativistas que trabalhavam em prol dos direitos das mulheres. Fonda queria um filme que realmente impactasse a vida das trabalhadoras.
- Dolly Parton revelou que compôs a melodia de “9 to 5” usando suas unhas postiças como instrumento percussivo, batucando-as para criar o ritmo característico da música enquanto estava no set.
- O sucesso do filme gerou uma série de televisão de mesmo nome, que foi ao ar de 1982 a 1988, com algumas das atrizes originais, incluindo Rachel Dennison, irmã de Dolly Parton, no papel de Doralee.
- Também foi adaptado para um musical da Broadway em 2009, com letras e músicas adicionais de Dolly Parton, provando a longevidade e o apelo de sua história.
- O título original do filme era “Nine to Five”, uma referência direta à jornada de trabalho padrão. O título brasileiro “Como Eliminar Seu Chefe” foca no aspecto mais cômico e “vingativo” da trama.
- O filme foi um enorme sucesso de bilheteria, arrecadando mais de 103 milhões de dólares nos EUA, tornando-se o segundo filme de maior bilheteria de 1980.
Assim como heróis que se desdobram em missões complexas, a exemplo de a missão secreta de John Stewart em ‘Lanternas’, Dolly Parton também desbravou um novo território em sua carreira, mostrando a complexidade e a força por trás de uma personagem que desafiava estereótipos.
Perguntas frequentes
Qual é o primeiro filme de Dolly Parton?
O primeiro filme de Dolly Parton é “Nine to Five” (conhecido no Brasil como “Como Eliminar Seu Chefe”), lançado em 1980.
Dolly Parton foi indicada ao Oscar por *Nine to Five*?
Sim, Dolly Parton foi indicada ao Oscar na categoria de Melhor Canção Original pela música-tema “9 to 5”, que ela mesma compôs e interpretou para o filme.
Sobre o que é o filme *Nine to Five*?
O filme conta a história de três secretárias – Violet (Jane Fonda), Judy (Lily Tomlin) e Doralee (Dolly Parton) – que se unem para se vingar de seu chefe sexista e tirano, Franklin Hart Jr., e acabam assumindo o controle da empresa para transformá-la em um ambiente de trabalho mais justo.
Onde posso assistir *Nine to Five* hoje?
“Nine to Five” está disponível para aluguel ou compra em diversas plataformas digitais, e ocasionalmente pode ser encontrado em catálogos de serviços de streaming, dependindo da região e do período.
O filme *Nine to Five* ainda é relevante hoje?
Sim, os temas abordados em “Nine to Five”, como assédio no local de trabalho, disparidade salarial e empoderamento feminino, continuam sendo altamente relevantes e debatidos na sociedade atual, tornando o filme um clássico atemporal.
Conclusão
“Nine to Five” é muito mais do que apenas o primeiro filme de Dolly Parton. É uma cápsula do tempo da cultura pop que, ao mesmo tempo, oferece uma crítica social com validade perene. A comédia afiada, as atuações memoráveis e a canção-tema icônica se combinam para criar uma obra que não só lançou a carreira cinematográfica de Dolly, mas também inspirou e empoderou uma geração de mulheres. É um filme que nos lembra da importância de questionar o status quo, lutar por justiça e, acima de tudo, do poder da união feminina. Se você busca uma comédia inteligente com um coração enorme e uma mensagem que ainda ecoa, não procure mais: “Nine to Five” é a sua pedida.


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